O toque das dez e cinquenta ecoou nos Blocos da escola. Peguei no Livro de Ponto da turma CEF – aquele dossiê desajeitado e sombrio que teima em espelhar o estado de decadência a que cheguei, ou a que chegámos todos, passados tantos anos (e bons) de serviço docente – e dirigi-me à sala de aula.
Metade do grupo esperava-me e seguiu-me, com passos lentos. Os outros não davam sinais de vida. Entrámos. Sentaram-se, enquanto eu abria a pasta donde retirava um livro de poesia. Escrevi um poema de Eugénio de Andrade no quadro para trabalharmos a estrutura formal. Passados quinze minutos, ouviu-se barulho no corredor. “Stôra, eles já chegaram. Posso ir abrir?” Alguém bateu à porta, com os modos habituais, ou seja, bruscamente.
O primeiro entrou, sem fazer referência à sua chegada em atraso. Arrastou a cadeira, ruidosamente, dirigiu algumas palavras a alguém da última fila, fez alguns gestos pouco adequados e sentou-se. “Podemos entrar?” Era o seguinte, que proferia aquelas palavras com a boca cheia de croissant. Acabou por desatar a rir, porque o inevitável aconteceu: metade da comida foi projectada para o chão da sala, devido à forma atabalhoada como falou enquanto mastigava. Olhou para mim e calou-se. Percebera – que milagre – a triste figura que fazia no momento. Os outros tinham, entretanto, entrado. Alguns guardaram os bolos que tinham na mão, em cima das carteiras, mas não ousaram contradizer-me, numa atitude que poderia ser de rara lucidez, não fossem os olhares trocados e os risos estridentes que soavam de vez em quando.
Meia hora depois, fartos de me ouvir dissertar sobre normas de conduta, regras sociais e noções de cidadania, levantaram-se e saíram ao som do toque da campainha, de novo não se esquecendo de arrastar as cadeiras, ao mesmo tempo que trocavam “piropos” e ameaças uns com os outros “lá fora vais ver como é…”, outros “lá fora parto-te os c.”.
A aula até correu bem…bem melhor do que todas as outras em que tentei leccionar conteúdos programáticos. Nessas, expressões como “ó stôra, nem pense nisso! Vamos dar outra coisa.”; “Que é que a gente tem a ver com isso?”; “Que é que tá aí a escrever? “Hás-de?” Que é isso? Atão não é hádes? E porque é que não? Porque é a gente tem de decorar isso? A stôra também tem a mania que sabe mais que os outros. Acha que eu vou dizer isso assim em casa ou com os amigos? Até gozavam. Deixe-se disso!” são habituais. O problema é que enquanto o aluno se expressa desta forma acompanhada de gestos delicados, tais como a colocação da perna em cima da cadeira ao seu lado, ou levantando-se para assumir a sua indignação, os outros riem sem parar…
Claro que esta aula teve lugar já há algum tempo, quando eu ainda cumpria, escrupulosamente, as directivas que recebia: nada de pôr alunos na rua, nada de marcar faltas, nada de entrar em confronto, entre muitas outras. Agora melhorou, ou melhorei eu o estado de coisas, se me faço entender! Estou-me nas tintas, ou arrisco-me a não responder por mim, um dia destes…
E aquele dossiê que teima em fitar-me com ar trocista!
Maria Santos
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Uma pausa para café
Após uma pausa prolongada devido a alguns desvios de percurso pautados pela procura de outras margens mais povoadas de ar fresco, aqui estou de volta...fui só tomar café.
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Ministério da Educação decide adiar os Novos Programas de Português
Fiquei perplexa ao ler a notícia no jornal Público «Novos programas de Português adiados».
O Ministério da Educação decidiu adiar, uma vez que está prevista uma revisão curricular e a definição das metas de aprendizagem para o ensino básico.
Centenas de professores de Português encontram-se em Formação para a Implementação dos Novos Programas desde Setembro e o calendário aponta para Julho o final da formação.
A nossa vida tem sido, este ano lectivo, pautada por desenfreadas corridas para Coimbra, quinzenalmente, no final das aulas da manhã, para frequentar a Formação dos Novos Programas de Português, horas infinitas de trabalho em casa – estudar, pesquisar, reflectir, dissertar – fins-de-semana desenvolvendo trabalhos com o grupo da formação – mais horas de trabalho em casa para planificar as tarde das quintas-feiras de «Projecto de Português» na escola, no sentido de ajudar (se é que conseguimos) os colegas de Português a entrarem no espírito deste novo programa.
Pois é, parece fácil, mas não é se a tudo isto acrescentarmos a preparação de aulas dos 8º, 9º e 10º anos de escolaridade e a coordenação de um Departamento de Línguas (outros leccionarão níveis diferentes, tanto faz).
A meio do ano lectivo, deparamos com uma notícia nos meios de comunicação social informando que tudo foi adiado! Professores em formação e formadores são, assim, informados deste adiamento pelos media!
Com me sinto neste momento? Como todos os que me acompanham nesta caminhada sem fim: cansada, angustiada, indignada com a falta de respeito com que este país trata a Educação e os docentes que para ela trabalham séria e dedicadamente.
O Ministério da Educação decidiu adiar, uma vez que está prevista uma revisão curricular e a definição das metas de aprendizagem para o ensino básico.
Centenas de professores de Português encontram-se em Formação para a Implementação dos Novos Programas desde Setembro e o calendário aponta para Julho o final da formação.
A nossa vida tem sido, este ano lectivo, pautada por desenfreadas corridas para Coimbra, quinzenalmente, no final das aulas da manhã, para frequentar a Formação dos Novos Programas de Português, horas infinitas de trabalho em casa – estudar, pesquisar, reflectir, dissertar – fins-de-semana desenvolvendo trabalhos com o grupo da formação – mais horas de trabalho em casa para planificar as tarde das quintas-feiras de «Projecto de Português» na escola, no sentido de ajudar (se é que conseguimos) os colegas de Português a entrarem no espírito deste novo programa.
Pois é, parece fácil, mas não é se a tudo isto acrescentarmos a preparação de aulas dos 8º, 9º e 10º anos de escolaridade e a coordenação de um Departamento de Línguas (outros leccionarão níveis diferentes, tanto faz).
A meio do ano lectivo, deparamos com uma notícia nos meios de comunicação social informando que tudo foi adiado! Professores em formação e formadores são, assim, informados deste adiamento pelos media!
Com me sinto neste momento? Como todos os que me acompanham nesta caminhada sem fim: cansada, angustiada, indignada com a falta de respeito com que este país trata a Educação e os docentes que para ela trabalham séria e dedicadamente.
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Novos Programas de Português
domingo, 1 de novembro de 2009
Três Cantos encantam o Porto
Ontem à noite o Coliseu do Porto viveu momentos inesquecíveis ao som de temas que marcaram uma época do passado, porém bem presentes!!!
Momentos eternos deixaram-nos sem palavras! Foram duas horas de partilha, de emoções fortes, de deleite!
Os monstros no seu melhor!
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Tal como o vinho do Porto ... cada vez melhor! A garra continua, agora mais madura, mas nem por isso menos densa.



Para terminar, a equipa juntou-se cantando em uníssono o último tema da noite!

Palavras para quê? Venham mais três!
Momentos eternos deixaram-nos sem palavras! Foram duas horas de partilha, de emoções fortes, de deleite!
Os monstros no seu melhor!
Tal como o vinho do Porto ... cada vez melhor! A garra continua, agora mais madura, mas nem por isso menos densa.
Para terminar, a equipa juntou-se cantando em uníssono o último tema da noite!
Palavras para quê? Venham mais três!
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Três Cantos
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
O Haver
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto / esse eterno levantar-se depois de cada queda / essa busca de equilíbrio no fio da navalha / essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo infantil de ter pequenas coragens.
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Vinicius de Moraes
sábado, 15 de agosto de 2009
40 ANOS DEPOIS
Quarenta anos é muito tempo, mas o tempo é feito de momentos que a memória não apaga!
Relembremos aquele encontro de culturas e de gentes que influenciaram a nossa forma de estar na vida, de olhar o mundo, de sentir quem nos rodeia.
Relembremos aquele encontro de culturas e de gentes que influenciaram a nossa forma de estar na vida, de olhar o mundo, de sentir quem nos rodeia.
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